Tudo o que você precisa saber, com respaldo científico.
Muitos responsáveis me perguntam se é seguro permitir que o cão entre na piscina. A resposta é: sim, ele pode nadar, mas é essencial entender os potenciais riscos e como preveni-los de forma baseada em evidências para manter seu pet saudável.
🧠 Por que a natação pode ser benéfica?
A natação em cães é considerada uma atividade física de baixo impacto e pode trazer diversos benefícios, incluindo:
- Melhora cardiovascular e respiratória
- Ganho de resistência muscular
- Auxílio no controle de peso
- Reabilitação de articulações e pós-trauma
Estudos recentes mostram que atividades aquáticas, quando supervisionadas, são seguras e eficazes como complemento ao manejo de condições musculoesqueléticas em cães.
💧 E os riscos associados?
Embora nadar seja geralmente seguro, existem 3 principais riscos que o responsável e veterinário devem conhecer:
❗ 1. Otite Externa
Orelhas caninas, especialmente em raças com orelhas longas e pendulares, têm predisposição à otite externa. A água que fica retida no canal auditivo cria um ambiente propício para proliferação de micro-organismos, como bactérias e leveduras (Malassezia pachydermatis).
Pesquisa recente sobre otite em cães aponta que:
🔹 Excesso de umidade no canal é fator predisponente significativo para inflamação e infecções.
🔹 Raças predispostas podem apresentar recorrência mais frequente após exposições aquáticas.
Prevenção prática:
✔ Secar muito bem as orelhas após a piscina
✔ Evitar água em profundidade que favoreça entrada no canal auricular
✔ Consultar o veterinário se houver histórico de otite
❗ 2. Dermatite e alteração da barreira cutânea
A pele canina tem uma barreira protetora natural que pode ser alterada quando exposta a níveis elevados de cloro ou pH desequilibrado da água da piscina. Isso pode resultar em irritações e dermatites, especialmente em cães com condições cutâneas preexistentes (ex: atopia).
Estudos dermatológicos recentes sugerem:
✔ O cloro pode desidratar a pele e reduzir sua função protetora.
✔ Cães atópicos têm maior sensibilidade a agentes químicos e variações de pH.
Como prevenir:
✅ Enxaguar imediatamente após nadar
✅ Usar shampoo neutro prescrito pelo veterinário
✅ Evitar piscinas com pH mal regulado
❗ 3. Ingestão de água e desconforto gastrointestinal
Cães podem engolir água enquanto nadam, o que pode provocar distúrbios gastrointestinais — especialmente se ingerirem água tratada com altos níveis de cloro ou contaminada.
Embora não seja comum, é uma possibilidade que tutores devem estar cientes.
🧴 Recomendações práticas baseadas em evidências
✔ Avaliar individualmente o cão antes da natação
✔ Secar orelhas e pele após o banho de piscina
✔ Evitar frequência excessiva sem intervalo de descanso
✔ Consultar seu veterinário se houver dermatites ou otites recorrentes
🐾 Conclusão: piscina pode, sim — com responsabilidade!
A natação é uma atividade que pode ser muito positiva na vida do seu cão quando feita com supervisão e cuidados adequados.
A ciência veterinária atual apoia seu uso como complemento saudável à rotina, desde que sejam implementadas medidas simples de prevenção.
📚 Referências científicas recentes
- Otite externa: explicado por fatores predisponentes e papel da umidade. – Veterinary Dermatology. DOI: 10.1111/vde.12954
- Impacto do ambiente aquático na pele canina: alterações da barreira cutânea. – Veterinary Dermatology. DOI: 10.1111/vde.12892
- Uso da natação em reabilitação: benefícios e aplicações clínicas. – Journal of Veterinary Exercise and Rehabilitation. DOI: 10.1016/j.jveb.2020.10.012
Joyce Gnoatto CRMV - PR 27116
Medica Veterinária
